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Guia · 26 artigos

Comportamento e emoções dos 1 aos 6 anos

Porque é que as crianças pequenas fazem o que fazem — e o que responder no momento.

Quase tudo o que os adultos leem como desobediência, manha ou provocação nas crianças pequenas é, na verdade, imaturidade neurológica. Vale a pena começar por aí, porque muda a resposta.

O travão ainda não está construído. A parte do cérebro responsável por inibir um impulso, esperar e mudar de plano — o córtex pré-frontal — desenvolve-se durante toda a infância e adolescência. Uma criança de 3 anos que bate quando fica frustrada não escolheu bater: não teve como não bater. Isso não significa que não haja limite; significa que o limite tem de ser posto pelo adulto, não exigido à criança.

A linguagem chega depois da emoção. Entre o ano e os três anos a criança sente muito mais do que consegue dizer, e é essa diferença que produz a maior parte das birras, das mordidas e dos empurrões. À medida que a linguagem chega, estes comportamentos diminuem sozinhos.

Cansaço, fome e mudança explicam a maioria dos dias maus. Antes de procurar uma causa educativa, vale sempre a pena olhar para as horas de sono, a última refeição e o que mudou na rotina.

Birras e agressividade

Limites e disciplina

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Perguntas frequentes

Até que idade as birras são normais?

As birras são mais frequentes entre o ano e os quatro anos, com pico habitual entre os 18 meses e os 3 anos, e vão diminuindo à medida que a linguagem e o controlo de impulsos amadurecem. Birras frequentes e muito intensas depois dos 5 anos merecem uma conversa com o pediatra.

O que fazer no momento em que a criança está em birra?

Baixar-se ao nível dela, falar pouco e devagar, validar o sentimento sem ceder no limite, e se possível mudar de ambiente. Explicações e sermões durante a crise não são processados — o cérebro em stress não está disponível para raciocinar. A conversa fica para depois, com a criança já calma.

Porque é que o meu filho não obedece?

Antes dos 6 anos, obedecer depende de uma capacidade de inibir impulsos que ainda está em construção. Instruções que funcionam são curtas, uma de cada vez, positivas, concretas e ditas ao nível dos olhos, com aviso antes das transições. Repetir dez vezes ensina a criança a ignorar as primeiras nove.

Bater ou morder de volta ensina a criança a não o fazer?

Não. Ensina que quem é maior pode magoar, aumenta a agressividade a médio prazo e quebra a confiança. Uma criança pequena não faz a ponte entre a dor dela e a dor do outro, por isso a lição que se pretende dar não chega a existir.

Quando é que um comportamento deixa de ser fase e merece ajuda?

Quando persiste muito para além da idade esperada, quando é intenso ao ponto de afectar o dia-a-dia da criança na creche, na escola ou em casa, quando vem acompanhado de perda de capacidades, ou quando os pais sentem que estão sem recursos. Nesses casos vale a pena falar com o pediatra ou com um psicólogo infantil.

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